O Brasil é o sexto maior mercado de telefonia celular do mundo. Até junho de 2008, registrava 133 milhões de linhas, com previsão de 40 milhões de novos aparelhos vendidos no ano. É evidente a rápida expansão das telecomunicações no País. Mas o ritmo desse crescimento não é igual ao da consciência ambiental, segundo revela uma pesquisa mundial realizada em 2008 pelo fabricante Nokia. Apenas 2% dos brasileiros têm o hábito de reciclar seus celulares antigos e mais da metade ignora que isso seja possível. A maioria dos entrevistados guarda em casa os aparelhos sem uso.
Se os 3 bilhões de pessoas que usam celular no mundo devolvessem pelo menos um aparelho fora de uso, seria possível economizar 240 mil toneladas de matéria-prima e reduzir a emissão de gases, com efeito idêntico à retirada de 4 milhões de carros das ruas. "Juntas, pequenas ações podem fazer uma grande diferença", afirma Markus Terho, diretor de assuntos ambientais e mercados da Nokia. Com base nessa pesquisa, o fabricante começou a desenvolver campanhas para esclarecer os usuários sobre a importância de reaproveitar celulares, baterias, carregadores e outros acessórios.
As indústrias concorrentes seguem o mesmo caminho. Em agosto de 2008, a Motorola expandiu no Brasil o programa de coleta, antes restrito a baterias, para receber também o celular e seus acessórios, inclusive fones de ouvido. No caso da Samsung, que eliminou substâncias tóxicas e lançou no mercado mundial celulares feitos de plástico à base de milho, o cliente é orientado a deixar o aparelho velho em alguma loja da rede de assistência técnica para dali seguir a rota da reciclagem.
Aproveitamento industrial
Em geral, entre 65% e 80% dos componentes dos celulares podem ser reciclados. Nas empresas recicladoras, os materiais são separados para ganhar novas funções. O ouro, o paládio e o cobre, contidos nos circuitos internos, viram jóias, produtos de uso médico e novos dispositivos eletrônicos.
Das baterias, são retirados cobalto, níquel e cobre para compor peças de aço inoxidável, auto-falantes e novas baterias. Óxidos metálicos vão para a produção de tintas e as capas plásticas que protegem os aparelhos são transformadas, por exemplo, em cones para orientar o trânsito, cercas e pára-choques. Com os celulares velhos é possível fabricar chaleiras de cozinha, obturações dentárias e até saxofones.
Expansão da telefonia móvel
»3,3 bilhões é o número de celulares no mundo em 2008 (50% da população global)
»3% dos usuários do mundo reciclam seus aparelhos
»44% deixam o celular antigo guardado em casa
»50% não sabem que o equipamento pode ser reciclado
»3 mil toneladas de celulares são descartadas por ano no Brasil
»1 ano e meio é a vida útil média dos aparelhos
Lei define regras para pilhas e baterias
As normas brasileiras estabelecem critérios sobre o que fazer com pilhas e baterias que estão gastas e precisam ser descartadas e obriga os fabricantes a reduzir o teor de materiais perigosos das pilhas comuns e alcalinas, usadas em lanternas, rádios, brinquedos e aparelhos de controle remoto. Agora, uma resolução do Conama ampliou o sistema de coleta, antes obrigatório apenas para produtos que apresentavam níveis de cádmio, chumbo e mercúrio acima dos limites permitidos.
O descarte de todas as pilhas e baterias usadas passará a ser feito no local em que o produto foi comprado. E as empresas têm um prazo de dois anos para se adaptar à nova regra.
O resgate desses produtos usados deverá ser gerenciado pela indústria fabricante. Quando o sistema estiver em vigor, as lojas que vendem brinquedos com pilhas e baterias, supermercados e farmácias terão de apresentar um local para o consumidor depositar o material usado.
Somente em São Paulo, são jogadas fora 200 milhões de pilhas por ano. As baterias de celulares têm uma vida útil pré-determinada e, após um certo número de recargas, devem ser trocadas. Para armazenar energia, esses dispositivos contêm um coquetel de substâncias químicas que têm valor comercial e podem ser reaproveitadas pelas indústrias.
Fabricantes de celulares, notebooks, calculadoras e outros equipamentos já têm sistemas para receber de volta esses resíduos e encaminhá-los para empresas especializadas em fazer a reciclagem. As operadoras de telefonia celular se engajaram nesse processo. Por meio de seus sites na internet e de seus serviços de atendimento ao consumidor, orientam os usuários e informam os pontos de entrega. Veja ao lado onde entregar seus celulares velhos, pilhas e baterias.
Vivo - Recolhe aparelhos e baterias de qualquer modelo ou operadora em 3,4 mil pontos no país.
Claro - Mantém urnas coletoras em todas as lojas próprias e nos agentes autorizados.
TIM - Instalou coletores nas lojas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, com previsão de alcançar todo o país até o fim de 2008. Além de pilhas, as lojas e as revendas da operadora recebem baterias, celulares obsoletos e seus acessórios.
Drogaria São Paulo - Recebe pilhas e baterias nas 200 lojas da rede com logística para transportar o material até uma empresa recicladora para reaproveitamento das substâncias químicas.
HP - Recolhe baterias de notebooks, calculadoras e câmeras digitais e outros produtos da marca HP. A coleta deve ser solicitada no site www.hp.com.br/baterias. No prazo de sete dias úteis, a empresa envia por correio um envelope pré-pago para a remessa dos produtos. As baterias também podem ser entregues na rede de assistência técnica
Banco Real - Em todas as agências do país recebe pilhas, celulares e outros dispositivos nos coletores "Papa-Pilhas"
Fonte: Terra
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